domingo, 16 de janeiro de 2011

BBB 11

Mais um BBB? espantam-se os críticos. Normal. Na televisão existe espaço para tudo. Só acho que se o BBB chegou à 11ª edição, todos os que apostavam no desgaste da fórmula e anunciavam o seu fim, anos atrás, devem procurar rapidamente outro discurso para posar de inteligentes.
Ouvir que o BBB é um programa sem conteúdo me faz rir. E será que as novelas têm mais a oferecer? Elas têm ótimos artistas, ponto. Mas conteúdo... O esquema amor-impossível, separação-do-casal, casamento-com-a-pessoa-errada e reencontro-final, com alguns assassinatos no meio, de tão manjado, não convence nem as moscas que pousam sobre a televisão.
Acredito que a fórmula do BBB está menos desgastada que a das novelas e explico por quê. O BBB conseguiu ser uma fusão de gêneros televisivos. São eles: a própria novela, o programa de auditório, a gincana competitiva, as videocassetadas, além da interatividade que nenhum desses programas oferece, sem contar o direito à torcida, como no Brasileirão. E há outras razões:
Imprevisibilidade: digam o que disserem, no BBB não há um esquema previsível de intrigas e desfecho: tanto o Mocinho como o Bandido podem vencê-lo.
Tempo real: chamado de reality show, com justiça, pois a realidade pode invadir o programa a qualquer momento, como ocorreu na última semana, quando o mecanismo utilizado para a prova do líder falhou e a Globo interrompeu-a. Pedro Bial ironizou a situação, mas não conseguiu esconder o nervosismo. Chamou os comerciais, que não entraram, e completou com um patético: “Recebo ordens, assim como vocês”. E o que sente o espectador, diante das falhas da Globo? Suspeito que esse seja o maior divertimento.
Laboratório humano: no BBB há, até certo ponto, um autêntico laboratório de relações humanas, com destaque para novíssimos comportamentos e identidades sexuais. Quando é que, nas novelas, houve um transexual? Lembro-me que, há muito tempo, Maria Luísa Mendonça fez uma hermafrodita — o que foi tachado de mau-gosto. Agora, todos estão se perguntando como se comportará a transexual Ariadna, e, caso ela se envolva com um dos homens da casa, milhões de pontos de interrogação vão piscar em todo o Brasil. Laboratório tem a ver com experiência, que significa fazer o que não foi feito antes. No BBB, isso acontece sem os estereótipos ou o politicamente-correto da teledramaturgia.
O primeiro BBB, no entanto, não foi o BBB. Foi a Casa dos Artistas, do SBT, que atingiu recordes de audiência e mostrou que esse era o caminho das pedras. Mas pelos direitos autorais, o BBB ficou com a Globo, que pode até ter aprendido algumas coisas com a incursão do SBT. Lá, aperfeiçoaram uma técnica que Serguei Eisenstein descobrira muito tempo antes: qualquer cena filmada, por mais banal que seja, tem seu significado completamente alterado quando da inclusão de uma trilha sonora. Sem a música, não haveria romance, não haveria romantismo. A competente Laura Finnochiaro percebeu isso, e fez tão bem seu trabalho que até CDs com a trilha sonora do programa foram lançados.
                BBB tem, em suma, os ingredientes para mobilizar a atenção do público e provocar acaloradas discussões. É pouco?

11 comentários:

  1. Sempre odiei BBB e agora estou vendo por obrigação profissional. Tem momentos divertidos, mas acho que ano que vem não verei de novo...

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  2. Acho que faltou dizer que eu não vi a maioria dos BBBs... Vi mesmo o BBB 5. Mas não tem jeito, a gente fica sabendo, dada a repercussão do programa e as paixões que provoca.

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  3. Não assisto. Acho péssimo. A comparação com as novelas foi bem legal, mas acho que novela carrega aquele componente de ficção que intriga, por isso que faz sucesso. Como se fosse um livro, ainda que ruim. Muito ruim.

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  4. Acompanhei o BBB que o Jean Willis ganhou. Não lembro qual o número daquele BBB. Depois vi alguns trechos de outras edições.

    Gostei muito como o Jean se comportou, passei a ser seu admirador. Claro que aquele comportamento, sempre ético, estava pautado numa base sólida e em diretrizes de uma visão solidária e bastante responsável.

    Não acompanhei os demais, assim como não acompanho novelas, programas de auditório etc. Pra ser sincero, nem jornal eu assisto. Comecei a ver TV com o Vila Sésamo, algumas horas durante a adolescência (adorava os filmes da sessão da tarde) e acompanhei bem as primeiras entrevistas do Jô Soares, hoje nem ele me cativa mais.

    O melhor que ficou foi o prazer pelos filmes. Estes, sim! Vejo filmes "alugados", diariamente.

    Concordo plenamente com seu texto!!! Aliás, brilhante sua afirmação de que o BBB tem "ingredientes para mobilizar" a massa!

    A TV, como tudo na vida, tem aspectos respeitáveis e aspectos detestáveis. Sim, ela faz parte dos incontáveis mecanismos de controle sobre a população, e é muito "bem(?)" utilizada. Afinal, está na mão da "minoria" dominante.

    Parabéns pelo texto! Ajudou a refletir!!! Será que assim como a grande massa, apesar das minhas escolhas, também sou um manipulado como a maioria!?

    Um abração, Toni! E mais uma vez, parabéns!!!

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  5. Obrigado, Tatá. Pretendo também falar sobre cinema. Quem sabe talvez possa dar uma contribuição para a reflexão sobre a sétima arte. Agora, que a indústria cultural existe, a cultura de massa, é inegável. E o cinema não está de fora. Resta-nos apenas algumas ações para manter nossa individualidade. As redes sociais são uma possibilidade.

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  6. BBB é uma máquina de fazer dinheiro, e oferece por tempo limitado a chance a algumas criaturas sobressaírem-se e participar de uma pequena porção do estrelato imediato.

    Ao meu ver, BBB é a chance de se conseguir um atalho para fama e sucesso sem necessariamente treinar e trabalhar por anos para se atingir o mesmo objetivo. A diferença é que tem vida curta.

    Outro ponto que você esqueceu de mencionar são as famosas capas da Playboy. O BBB também proporcionar ilustres desconhecidas e fora do padrão de qualidade exigente da Playboy, a estrelarem e estrearem capas e conteúdo. Vimos todo tipo de mulher fotografada e publicada nesta revista, e quando o padrão é excepcionalmente baixo, acabam posando para a Sexy (que nesta revista o artístico fica meio de escanteio e mostra-se literalmente o útero das assim chamadas modelos).

    Eu acredito que o BBB é um sistema testado e aprovado de fazer dinheiro, lindo dinheiro! O público que assiste e consome esta cultura, não se sente ofendido e nem rebaixado, apenas participa de forma pseudo-ativa e consegue o que mais deseja: fazer o tempo passar, fofocar e criticar o comportamento de quem está sendo enjaulado numa gaiola bonita.

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  7. Sem dúvida, Prof. Beck, é uma máquina de fazer dinheiro. O culto a celebridades instantâneas é outra coisa que poderia ser analisada, sim. Farei novos comentários sobre o BBB.

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  8. Paulo,
    não sei porque vc não conseguiu fazer a postagem. Eu, como neófito, ainda sei pouco. Segue o comentário abaixo:

    Antônio:
    Tentei postar comentário, mas não consegui.
    Se vc quiser, pode postar o que está abaixo e por meu nome. Se precisar meu email é paulomayr@uol.com.br O meu blog é do Word Press se ajudar. O endereço do Blog é
    http://colunistas.ig.com.br/bocanotrombone

    Gostei do que vc escreveu. Lá vai o comentário.

    Caro Antônio:
    Apesar de você argumentar muitíssimo bem, continuo achando BBB um nada absoluto. Tentei assistir algumas vezes, mas não suporto por mais do que trinta segundos.
    Qto à novela, concordo com vc, uma besteirada sem fim; sobretudo, mta encheção de lingüiça. Mas há ali bom trabalhdo de dramaturgos, atores, diretores, cenógrafos, etc.
    Para mim, fabulosos, realmente o termo é esse – fabulosos - são os seriados: Grande Família, aquele com o Bruno Mazzeo e o seu primo Fábio Porchat - Tudo Junto Misturado, é esse o nome???, A Diarista, a série de Mulheres Cariocas da Globo no fim do Ano Passado, sem contar algumas novelas antigas, Bem Amado, Beto Rockfler.
    Estou falando o óbvio, já que o teleteatro brasileiro é considerado o melhor do mundo.
    De qualquer maneira, parabéns pela coragem de assumir que enxerga alguma qualidade no BBB. Ocorreu-me gracinha boba: BBB Babaquice Bem Babaca!!!

    Grande abraço

    Paulo Mayr

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  9. BBB é uma verdadeira fabrica de artista instantâneo, onde as pessoas vão mostra o corpo,fazem coisas que ate Deus duvida e quando saem da casa fazem alguns trabalhos e somem. Pra não falar que não assisto o BBB, eu assisto por não ter outra opção na televisão,como um filme ou um seriado.Um BBB que assistir e adorei foi o BBB5 onde tinha a Pink,Grazi e Jean que aliais foi o grande vencedor da ediçaõ 5.Depois as outras edições não foram mais as mesmas.As emissoras de tv podiam investir em programação mais interessante.

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  10. Uma série geralmente tem um número indefinido de emissões, chamadas episódios. Esses episódios fazem com que as pessoas fiquem vidradas, fazendo a audiência da rede globo ao extremos, sem aproveitar uma cultura se quer. O que nos resta nesse fato é DESLIGAR A TELEVISÃO E LER UM LIVRO. rs.

    Ate mais,
    Jéssica M. De Souza - Turismo manhã.

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  11. Jessica Nascimento27 de março de 2011 15:17

    De fato,BBB é um recorde de audiencia na globo, por isso que temos já a Decima primeira edição, se não fosse lucrativo a globo já teria tirado do ar. E como o professor Antonio disse, voce não precisa assistir para saber oque se passa. Esta na primeira pagina de qualquer site. E querendo ou não os brasieliros adoram, votam e torcem para o seu preferido ganhar, e para aquele casalsinho ficar junto...

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