quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Elas Encantam ou Desencantam?

Olhe para a foto ao lado. Preste atenção, pois quando você for velhinho, ou velhinha, ela será novamente publicada como símbolo de uma mudança importante. Pela primeira vez na História, os dois principais países da América Latina terão sido governados por mulheres. E daí? pergunta você. Daí que há menos de 10 anos isso teria sido impossível.
Minha tese é simples: sem a constante influência dos movimentos sociais que nas últimas décadas lutaram pelos direitos das minorias, isso não teria acontecido. Some-se o fato de que os Estados Unidos têm, também pela primeira vez, um presidente negro. Coincidência? Justamente no país em que o racismo teve uma feição separatista e violenta? É sabido que o movimento em prol dos direitos dos negros nos EUA foi pioneiro. Coincidentemente, o movimento feminista com mulheres queimando sutiãs aconteceu na mesma década (anos 60). Mas foi preciso que a ideia de igualdade de direitos e a mensagem anti-preconceito fossem marteladas por décadas até serem assimiladas. (Falo bastante sobre isso em meu livro Preconceito em Foco). A  semente foi plantada, germinou, e os frutos puderam ser colhidos.
Mas... por trás dessas mulheres havia um homem. Não é demérito.  Mas é fato. Elas foram conduzidas. No caso de Cristina, até pior, pois o homem era seu marido – que seria o verdadeiro governante. Então não houve avanço? Muita gente criticou a forma como o processo se deu, concluindo que independência feminina, de fato, não havia nenhuma. Para mim, porém, isso apenas demonstra a capacidade que tem o ser humano de adaptar, conciliar, acomodar, sem necessariamente destruir. A ideia de uma mulher ‘capaz’ vem acompanhada da influência ou ascendência masculina (machista, portanto) que garante uma  continuidade entre o novo e o velho. Temos o novo sem ruptura. E a verdade é que não estamos em um momento revolucionário. Barak Obama, por sinal, traz a mistura de etnias em seu código genético, indicando, pelo menos em tese, o gene da conciliação.
O ser humano é assim, fazer o quê? Mulheres realmente independentes (o primeiro exemplo que me vem à cabeça é Marta Suplicy) tendem a causar antipatia, oposição. Outra política que me vem à cabeça, Roseana Sarney, tem a onipresente figura do pai L como avalista de sua trajetória.
É preciso se conformar. E as dúvidas no caso de Dilma não estão relacionadas à sua capacidade administrativa – nem mesmo a oposição levantou essa bandeira. A dúvida diz respeito à atuação política, à capacidade de ser uma líder reconhecida e votada como tal. Também é preciso lembrar que, mesmo nos países ricos, a presença de mulheres no cargo máximo é ainda exceção. O melhor exemplo é Margaret Thatcher, mulher solitária entre líderes homens. Mas isso aconteceu justamente na Inglaterra, país forjado sob a liderança de mulheres fortes, como a rainha Vitória, que governou por mais de 60 anos. A combinação das palavras MULHER e LÍDER é rara.
Dilma sabe de tudo isso. Durante o seu primeiro mês, andou tateando e se escondendo. Presente na tragédia no Rio,  parecia procurar o tom certo, a expressão certa, como se estivesse pensando: “O que um governante compromissado com seu povo faz diante da catástrofe?” O tom pesaroso, o cenho franzido foram a resposta. Mas imagino que haverá ainda momentos de hesitação.
Na semana passada, o encontro com a presidente argentina foi o momento em que, pela primeira vez, ela parecia estar à vontade. O rosto perdeu a rigidez habitual. É que em muitos aspectos ela tinha diante de si, pela primeira vez, uma igual. É compreensível. A mudança foi tão evidente que eu logo pensei: “Dilma desencantou”. Até que enfim. Torço para que o encantamento produzido pelo seu mentor não dure muito. Prefiro a autenticidade.

7 comentários:

  1. infelizmente algumas pessoas falam que nao existe mais preconceito, porem, ele ainda esta aí. mas hoje a mulher ja se tornou muito independente e a cada dia esta ganhando espaço no mercado, do mesmo modo que os negros pouco a pouco tambem, como dito sobre o Obama.
    as pessoas só nao podem esquecer que foi dificil chegar até aqui e que podem deixar de batalhar por seu espaço.



    Aline Silva ( letras manha 1º semestre)

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  2. Por mais que eu não goste do fato da Dilma ser a nossa nova presidente por uma série de motivos, por um unico motivo eu gostei, porque por mais que todos falem que o preconceito contra mulheres acabou, ainda existe muita gente que adora fazer brincadeirinhas deixando bem claro seu preconceito contra as mulheres. Querendo dizer que somos incapazes, que somos o "sexo fragil" etc etc .. Pois o BBB esta bem ai para provar .. pois em todas as provas de resistência que tiveram foram as mulheres que ganharam provando nossa força tanto fisica quando psicológica.

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  3. Vejo que as mulheres hoje em dia estão mais forte, mais independente!
    Mas neste caso para uma mulher chegar a este cargo, teve uma ajuda de um homem por vez se não fosse isto talvez não estaria no poder,apesar do seu mérito!
    Hoje existe muito preconceito, mais vejo que isto está a cada dia virando um passado, o Estados Unidos sendo governado por um negro, e dois países sendo governados por mulheres!

    Ana carolina Messias dos Santos
    faculdade Torricelli, Letras manhã 1ºsemestre

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  4. As mulheres,cada vez mais ocupam espaços maiores em todos os setores,muitas delas exercem funçoes,antes delegadas somente aos homens.Isso mostra que capacidade todas temos,o que ainda é muito forte éo preconceito,o machismo.Acredito que a Dilma ,chegou onde chegou por mérito dela.Porque questionar somente a capacidade feminina ,sendo que a maioria dos presidentes'HOMENS'não fizeram grandes coisas pelo nosso pais.

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  5. Sandra Nascimento de Souza Silva25 de fevereiro de 2011 18:49

    hoje em dia as mulheres estão ganhando espaço em todos os mercados.
    A força da mulher chegou a presidencia do pais,nos tornando capacitadas para administrar uma nação, mas infelizmente o preconceito existe ,mulhers com o mesmo cargo que um homem ainda ganha menos,mas a sociedade esta mudando ai esta a Dilma para provar que lugar de mulher não é no fogão,

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  6. Acho que a Dilma acarretou uma grande revolução para a história do nosso país, ela mostrou que o preconceito não tem mais lugar na nossa sociedade.
    Mostrou que nós mulheres temos a mesma capacidade que os homens tem ou quem sabe até mais. E acho que ela esta surpreendendo cada vez mais pois eu mesma não votei nela, mas já gostei da postura que ela esta tomando sobre certas coisas e as atitudes que ela esta tomando.

    Thais Sandes da Silva - 1° Semestre Letras Manhã Torricelli

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  7. Bom as mulheres estão cada vez mais independentes. Porém ainda existe o preconceito, muitos homens machistas não aceitam que as mulheres competem com eles no mercado de trabalho e em diversas coisas. Mas aos poucos esse preconceito irá acabar, pois as mulheres tem a mesma capacidade que os homens tem.

    SELMA XAVEIR SANTANA DE OLIVEIRA - 1º SEMESTRE LETRAS MANHÃ FACULDADES INTEGRADAS TORRICELLI.

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