quarta-feira, 16 de março de 2011

Desgraça Pouca é Bobagem

O noticiário internacional está repleto de fatos alarmantes. Um noticiário trágico dá lugar a outro ainda mais trágico. Nesse contexto, houve espaço para se divulgar que “inaugurado nesta segunda-feira, o relógio da contagem regressiva para as Olimpíadas de Londres, em 2012, já está quebrado. O cronômetro, em Trafalgar Square, foi desligado”. Um alento para nós brasileiros. Os atrasos, as indefinições, enfim, a incompetência que se prevê para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 não é exclusividade nossa. Os britânicos não foram capazes de fazer um relógio funcionar. Se tivesse acontecido aqui, seria simbólico. E lá, o que significa? Talvez apenas um alívio momentâneo – para nós.

Raciocínios desse tipo parecem guiar o noticiário. Quanto maior a desgraça, maior o interesse, mais se vendem revistas. E o relógio britânico ainda por cima é muito feio. É humano pensar assim? Ver a desgraça alheia nos redime de alguma culpa? Ou então, somos sádicos mesmo?

Alguns fatos me levam a optar pela segunda opção. Não bastasse o rol de desgraças noticiadas, “a Autoridade de Segurança Nuclear da França (ASN) informou que as explosões ocorridas na central japonesa de Fukushima Daiichi atingiram o nível seis de gravidade em uma escala internacional que vai até sete. O Japão, até o momento, classificou os acidentes em nível quatro”. OK, é possível que eles tenham razão. Mas divulgar essa informação quando, obviamente, as autoridades japonesas tentam evitar o pânico, o desabastecimento, o deslocamento em massa da população, serve para quê?

Você que é ser humano que responda. A França, afinal, está bem longe do Japão para se julgar atingida pelo desastre. Ou será que ver circo pegar fogo é a única fonte de emoção em um mundo já bastante pacificado e monótono? Ou talvez eles julguem que têm o dever de informar? O momento atual me lembra o ataque de 11 de setembro. Uma certa histeria permeia os fatos, com a sensação algo apocalíptica de que o mundo está a beira do colapso. Aliás, a Comissão Europeia acaba de usar a palavra ‘apocalipse’ para descrever a situação no Japão. Simpático, não?

Sim, isso é humano. Todas as civilizações imaginaram o fim dos tempos, o fim de tudo, e previram como seria - com água, fogo, meteoros e agora com radioatividade. Está lá na Bíblia. Do ponto de vista científico, trata-se de mais um motivo para não se fazer alarde, pois a principal característica da ciência é sua fria isenção, seu apego à realidade dos fatos – essa sua radical diferença em relação à religião. Pois é. Mas pelo visto até os cientistas são humanos.

Como todos nós vamos morrer um dia, é melhor ir acompanhado. Melhor ainda é antecipar a data e fazer disso um acontecimento coletivo, assim não precisamos pensar que vamos deixar um monte de coisas para trás – coisas que os outros poderiam aproveitar. Humano, sim, demasiadamente humano...






9 comentários:

  1. O olhar de cada lugar tem um jeito de ver a situação, os acontecimentos. Mas a globalização de certa forma informa e globaliza não deixando nada em sigilo.
    Acredito que seja muito importante mostrar as coisas que acontecem em principal "desastres", já que isto tudo acontece por culpa do próprio homem. Embora acho ridículo o proveito que as pessoas fazem para se beneficiar de alguma forma, cito um exemplo que vi e fiquei chocada: um aplicativo do Orkut "Colheita Feliz" envolveu o desastre do Japão para chamar mais jogadores. Não sei ao certo a quem pertence este jogo, porém foi ridículo o uso dele para fazer markenting.
    Existem muitas visões diferentes e a minha é:
    Divulgar sim, tirar proveito jamais é desleal e um ato muito feio.

    Bianca Alves - Turismo, manhã

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  2. Jessica Nascimento27 de março de 2011 14:58

    Primeiramente vamos falar e citar exemplos sobre o nosso Brasil, a comecar pelo que " eles " não comecaram. Como organização,e aumento do nosso aeroporto internacional. Um pleno dia se sexta feira normal,e o passgeiro fica em uma fila para entrar na area de embarque por 3 horas, isso é ridiculo. Se londres esta preparado para as olimpiadas se ha suporte e capacidade para isso, ok coloque o relogio lá. Agora o nosso Brasil infelizmente não tem capacidade nenhuma para ter uma copa do MUNDO aqui, não só eu como já muitas pessoas dizem, essa copa sera um fiasco,já faz um ano que sabemos sobre a copa no Brasil e infelizmente o nosso maravilhoso governo que só pensa nos carros de luxo que eles tem, não faz absolutamente nada para mudar um pouquinho que seje a cara do nosso país. Ou alguem já viu algum tipo de mudança????

    Jessica Nascimento - Turismo Manha

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  3. É humano fazer alvoroço quando a tragédia acontece com o vizinho, e isso pode ser visto como um "alívio" por ter acontecido ao próximo e não a você. ANTES ELE DO QUE EU, é essa a expressão que define os problemas não relacionados a nós mesmos, nós somos inclinados a comentar sobre as desgraças que não nos pertencem, isso não é algo definido por uma região ou por um povo em específico, é algo universal. É uma espécie de "alegria" repentina (não no sentido literal da palavra), no fundo nos sentimos felizes por aquilo não estar acontecendo conosco, e isso é um tanto deprimente.

    Caio Lucas Ferreira - 1°sem/ manhã

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  4. infelizmente no mundo em que vivemos ninguem se importa muito com o bem estar do outro, mas nao pensam nas consequencias que isso vai acarretar.


    aline silva letras 1º sem manha

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  5. Sensacionalismo faz parte dos meios de comunicação,e parece que o povo adora esse tipo de matéria que faz referencia à certas desgraças,pois é muito fácil colocar mais lenha ,acreditando que nos safamos de tamanha tragédia,mero engano pois aqui no brasil acontecem coisas piores diariamente que somos obrigados a todo momento assistir em noticiarios.Eu particularmente nao assisto nenhum tipo de noticiario,prefiro pegar meus cadernos e estudar pois é o que vai acrescentar algo bom na minha vida.

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  6. acho que a imprensa "força a barra" como,por exemplo,o caso da escola em realengo-RJ que os repórtes chamam de "massacre" e "catastrofe",o caso foi absurdo realmente,mas agora utilizar destas palavras é um exageiro

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  7. Penso que é dever da imprensa informar o que esta acontecendo no mundo, isso inclui tragédias, atentados, greves, e também coisas boas( apesar de que, atualmente nada de bom esta realmente acontecendo no mundo).. Mas do mesmo jeito que que o atentado do 11 de setembro foi falado e comentado pelo mundo todo, esse desastre no Japão tambem deve ser informado, comentado etc.
    Não acho que seja um caso de falar das "desgraças alheias" e sim no caso de informar o mundo o que esta acontecendo nele mesmo.

    Giovanna Elia Faculdades Torricelli
    Turismo/Manhã

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  8. Acho engraçado como o que aconteceu lá não foi simbólico e se fosse aqui seria... Isso é tremendo preconceito, tudo bem que as coisas são bem diferentes, mas um relógio acabr de ser inaugurado e não funcionar mais lá, ninguém se importa.
    Acho que lá assim como aqui não estão preparados para receber nenhum tipo de campeonato, olimpíada, copa ou o que seja.
    Mas isso não importa não é? A Africa também não estava.

    Thais Sandes - 1 Semestre Manhã Letras Torricelli Inglês

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  9. A capacidade da raça humana para aproveitar a desgraça alheia para redirecionar as atenções é realmente incrível. Alguns ainda acreditam que esta é uma marca de nossos políticos, que aproveitam qualquer oportunidade para "fazer nome" ou desaparecer no anonimato, conforme a conveniência. Mas e as pequenas atitudes tão comuns a todos não poderiam ser apontadas como a mesma coisa? Quando acontece um acidente, por exemplo, quantas pessoas da multidão que se forma tem alguma intenção de ajudar e quantos estão apenas curiosos para ver a desgraça alheia, sem se importar com as causas ou consequências? Coloquemos em uma escala evolutiva e podemos afirmar que é o mesmo sentimento que ilustra a situação exposta.

    Alessandra Porto LPIE1M - Torricelli

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